27.07.2017

Consumo de subprodutos animais está em crescimento no mundo, e agregar valor é o desafio...

Os subprodutos de origem animal estão retornando ao centro da indústria global de carnes. Nos últimos anos, o aproveitamento da carcaça animal mudou de cortes nobres para cortes de processamento, miúdos e outros subprodutos como mocotó e orelhas (fifthquarter), direcionados pela mudança da preferência de consumidores. A rápida melhoria da situação econômica e preferência por subprodutos animais da Ásia, incentivou novas aplicações para subprodutos animais e menor disponibilidade de carne suína.

O Rabobank acredita que essa tendência será permanente e impactará no modelo de negócios de quase todos os membros da indústria global de carnes, com diferentes efeitos para os participantes. Os frigoríficos se tornarão cada vez mais ativos no processamento de miúdos. Mais processadores poderão ser forçados a mudar ou até mesmo garantir sua oferta de matéria-prima, enquanto processadores dedicados a subprodutos precisarão fortalecer sua posição na cadeia de valor como resultado da maior competição.

Desde os tempos antigos até hoje, a humanidade tem se esforçado para usar toda a carcaça animal. Além de fornecer alimentos e roupas, outras partes do animal têm sido usadas em mobiliário, equipamentos e, até mesmo em armas. Com a intensificação da produção animal e a introdução do processo de rendering (transformação de restos de tecidos animais em materiais com valor agregado) e outros processos, o uso de carcaças se desenvolveu em muitas outras aplicações na indústria farmacêutica, cosmética, doméstica e industrial.

Possíveis aplicações para o “fifthquarter” parecem intermináveis e continuam oferecendo oportunidades para aumentar o valor total da carcaça. Além disso, a melhor situação econômica dos países em desenvolvimento, principalmente na China (que tem uma preferência por produtos “fifthquarter”) aumenta mais a demanda e o valor destes produtos.

Além disso, a demanda dos consumidores por produtos processados de carne tem aumentado nos países desenvolvidos devido a preferências por conveniência e pelo fato de os consumidores estarem buscando as carnes processadas, mais baratas. Como resultado, o valor da carcaça está mudando de principais cortes da carne para cortes de processamento e produtos “fifthquarter”. O Rabobank acredita que essa mudança é estrutural, criando oportunidades e consequências para os processadores de carne.

Otimização da avaliação da carcaça, um desafio para a indústria de carnes
Um animal entra no abatedouro é desmontado em quatro quartos, que, juntos, são conhecidos como carcaça e contém os principais cortes nobres (como lombo, costela, etc) e de processamento (como ombro, mandril, etc). A carcaça, ou carne e esqueleto do animal, representa cerca de 60% do peso vivo do gado bovino e cerca de dois terços do peso vivo de suínos.

O restante do peso vivo de um animal pode ser dividido nos seguintes grupos de produtos: couro e pele, sangue, ossos, intestinos/invólucros, gordura e miúdos. Esses produtos são conhecidos como subprodutos ou “fifthquarter” e estão aumentando em valor.

A importância dos cortes principais, dos cortes de processamento e dos subprodutos pode diferenciar entre os países, dependendo das tradições, cultura, religião e riqueza. Por exemplo, na França e na Irlanda, os subprodutos representam uma parte importante do consumo de carnes (cerca de 8 quilos por cabeça), enquanto muitos dos produtos “fifthquarter” (como focinho, mocotó e cérebro) são considerados iguarias em muitos países da Ásia, mas não são consumidos na maioria dos países em desenvolvimento. As diferenças no valor desses produtos entre os países cria oportunidades comerciais.

O desafio para os abatedouros é otimizar o valor de todos os diferentes produtos (isto é, valorizar toda a carcaça). Para complicar, o valor dos diferentes cortes varia, às vezes devido a fatores sazonais. Além disso, os abatedouros têm a oportunidade de cortar/processar os diferentes cortes em produtos pré-embalados, prontos para comer, que aumenta o valor de venda, mas também requer investimentos em maquinaria e mão de obra.

Fonte: ABRA

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